iPad: será o dispositivo da Apple assim tão inovador?
A Apple voltou a fazê-lo: uma boa ideia, toneladas de marketing inteligente e muito “eye candy” fizeram do iPad o lançamento do ano. Sejamos sinceros: o conceito de “tablet” é antigo, contudo, até ao momento, nenhum outro dispositivo do género gerou tanto entusiasmo.
O iPad consiste essencialmente num grande ecrã, processador e memória actualizados e iPhoneOS 3. Em termos de funcionalidades, se ignorarmos as novas valências associadas ao ecrã de maiores dimensões, temos um iPod Touch “vitaminado” – não que isso seja mau. Ou seja, temos um dispositivo fantástico para gerir o email, para navegar na internet, ouvir música e ver filmes e fotos, controlar a agenda, jogar e passar momentos bem divertidos. As aplicações disponíveis para o iPhone devem funcionar no iPad, embora em tamanho reduzido (480×240) ou com o dobro do tamanho através de double pixel.
Por outro lado, ao passar para o conceito de tablet, o iPad à primeira vista falha em dois ou três aspectos fundamentais: em virtude do iPhoneOS 3, não temos multi-tasking. Se esta lacuna não é imperativa quando se fala no iPhone ou iPod Touch (embora algo minimizado pelo sistema de notificações push – mas estamos a falar de um telemóvel), ter interrupções de cada vez que recebemos um email ou uma mensagem no MSN pode tornar-se cansativo na hora de escrever um documento ou preparar uma apresentação. O outro ponto é o teclado: é certo que tem aproximadamente o tamanho de um teclado de portátil, mas o facto de ser plano e aliado à parte de trás curva do iPad parece-me complicado de escrever com o aparelho pousado numa mesa. Parece-me igualmente complicado escrever no mesmo com uma só mão.
A própria Apple parece empenhada em mudar estas primeiras opiniões: no próximo dia 8 de Abril irá apresentar as novas funcionalidades ainda em desenvolvimento do iPhoneOS4, em princípio disponível gratuitamente para o iPad e no novo iPhone.
Para já, uma das aplicações mais curiosas para o iPhone/iPod – o jogo Flight Control – já conheceu a versão “HD” para iPad e motivou inclusivamente uma notícia no New York Times.

Não menos importante é a versão iPad do Evernote – provavelmente uma das aplicações mais usadas em mobilidade – que ganha em funcionalidades graças ao ecrã de maior dimensão.

Em suma, apesar do recente lançamento do iPad, as empresas de software estão a preparar actualizações e novos programas para o aparelho. Não se trata de uma inovação do conceito de tablet, mas provavelmente uma redefinição do que será um bom computador portátil de interface táctil. Uma vez mais, a concorrência é que terá de se adaptar à nova realidade.


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