Seis anos depois
Passaram seis anos desde a aquisição do meu primeiro PDA – o Palm Zire – e a descoberta de como estes aparelhos poderiam ser úteis na organização pessoal. Foram muitas as estratégias usadas, ora utilizando o PDA como computador de bolso, separado do telemóvel, ou integrado – com e sem touchscreen. Foram vários os modelos testados, todos eles com as suas vantagens e defeitos. A escolha pela plataforma windows mobile foi um sucesso na minha opinião, capaz de satisfazer as necessidades em termos de organização, produtividade e mesmo na área do lazer.
Por outro lado, no que toca ao trabalho mais sério, a escolha de um netbook foi um passo natural, ecrã maior, memória, processador e compatibilidade com as aplicações “lá de casa”. Não gostei do paradigma avançado pelo Celio RedFly, continuo com a opinião que é uma cópia barata e menos funcional que o Palm Foleo. Todavia, entre os três, o Eee foi sem dúvida a melhor escolha – acertada de tal forma que deixei de usar o PDA para tarefas como navegar na internet, responder a emails e “mobile blogging”.
Por um lado, um PDA windows mobile surge da necessidade de ter sempre à mão uma ferramenta que nos permita trabalhar ou criar conteúdo em movimento. Por outro, a monopolização do Eee para essas tarefas permitem que o PDA tenha um outro tipo de utilização – mais centrado na organização pessoal, na internet, leitura de RSS e entretenimento. Ora, um PDA windows mobile não é o equipamento ideal para essa área em particular (talvez os novos Touch HD, Omnia e outros o sejam), pelo que por mais competente que seja o Samsung i780, nunca estará à altura da tarefa.
Passados seis anos, voltei ao Zire. Voltei à sincronização passiva via hotsync, à escolha cuidada dos PRC’s a instalar para não ocupar os 2MB do aparelho. O Nokia 6610i voltou também ao trabalho, após anos fechado na gaveta. Até um velhinho Qtek S200 parece um topo de gama comparado com o ecrã de 16 tons de cinza e a limitada conectividade. Até ver, está em estudo a aquisição de um aparelho – em segunda mão, já que estas experiências por vezes saem caras – que permitirá um óptimo desempenho nas áreas da organização, conectividade e entretenimento, sem tirar lugar ao Eee.
Ao contrário de muitos, acho que a fidelização a uma marca ou plataforma é errado, limita consideravelmente a nossa capacidade de analisar as alternativas e – por consequência – a nossa própria produtividade e a dos outros, caso a nossa opinião seja ouvida pelos leitores de fóruns ou blogs. Por outro lado, não compreendo o coleccionismo de alguns, que mantém os seus equipamentos numa gaveta, perdem o seu valor comercial e valor produtivo nas mãos de alguém que não tem outra opção senão procurar no mercado de usados.
E os leitores? O que acham? Devemos manter um certo estilo de utilização por dependência a uma marca ou plataforma, ou devemos ter a abertura para novas alternativas?

Sandro,
Sou da opinião de que não nos devemos agarrar em demasia a uma determinada marca ou plataforma, embora em certos casos tal seja difícil, dada a predominância de mercado de algumas marcas/sistemas.
No caso dos PDAs, também comecei com um Palm (o M130, já com ecrã a cores) e foi o meu ‘pau para toda a obra’ durante mais de um ano, com excepção da parte de telefone, em que usava um Nokia 6150.
Posteriormente passei para a plataforma Windows Mobile e aí me tenho mantido, talvez porque só agora comecem a surgir alternativas mais ou menos viáveis a esta plataforma.
Ainda assim, e nos tempos mais próximos, não me vejo a migrar para um esquema diferente, seja de marca (HTC), seja de sistema (Windows Mobile).
Boa noite
Amigo Carlos, não digo que o WM é mau, pelo contrário – é uma plataforma muito abrangente e capaz de se adaptar às necessidades específicas de cada utilizador dado a variedade de soluções de software, diferentes modelos disponíveis e grau de personalização – até ao momento – imbatível. Todavia, como refere e bem, num dado momento chegamos à conclusão que porventura uma outra solução seria mais adequada, mas pelas influências do mercado ou mesmo relutância na adaptação (especialmente no tempo que demoramos nessa adaptação), mantemos a plataforma e as suas vantagens e limitações.
Como qualquer coisa, o valor comercial de um dispositivo WM é muito subjectivo: são aparelhos extremamente caros e pecam pela rápida desvalorização após alguns meses de uso. Em termos de evolução tecnológica, salvo algumas excepções, pouco ou nada mudou nestes últimos dois anos. Novas interfaces que correm sobre o mesmo kernel ou “upgrades” de memória não são revolucionários mas sim uma resposta forçada às plataformas emergentes como o iPhone e Android. Até a RIM teve de lançar um novo Blackberry com interface táctil – sem falar da Nokia.
Neste contexto, o que foi revolucionário nestes dois anos nem foram os novos CPU’s Qualcomm ou os aparelhos com ecrã WVGA. A revolução foi na forma como comunicamos com os nossos aparelhos e como essa resposta ajuda a trabalhar e a produzir mais no mesmo período de tempo. Não foi por acaso que as grandes marcas exigiram melhorias à Microsoft nas funcionalidades do WM 6.1 – nem é por acaso que a Motorola praticamente exigiu a disponibilização do 6.5 até ao WM7 estar concluído. Na adaptação da versão OEM do WM, cada fabricante desenvolveu até a sua própria interface gráfica amiga do utilizador: das mais conhecidas contam-se a da HTC e a da LG – com a HP pelo meio. A Samsung foi também obrigada a desenvolver um híbrido entre o touchflo e os widgets do Windows Vista – embora sem grandes melhorias de acordo com os respectivos utilizadores.
Em resumo, por vezes a procura da melhor ferramenta não passa necessariamente de escolher aquela mais recente ou com o hardware mais variado. Passa, sobretudo, na escolha do sistema operativo, nas suas funcionalidades e no desempenho específico de tarefas – aquilo que ele é realmente bom. O Windows Mobile é um “pau de toda a obra”, mas não é “o” melhor quando temos necessidades específicas. Por exemplo, em termos de telefonia, garanto que um Sony Ericsson ou Nokia – mesmo com alguns anos – tem um som ou recepção acima da média. Todavia nenhum deles é tal versátil como o WM.
Ora, no meu caso em particular, com a ajuda do EEE deixei de precisar dessa versatilidade do WM – pelo menos aparentemente. Infelizmente, pelas razões acima referidas de desvalorização dos equipamentos, esta seria a altura ideal de vender o i780 antes de baixasse ainda mais de preço com as campanhas de Natal. Assim foi. O seu novo proprietário terá provavelmente mais proveito das funcionalidades e versatilidade do WM do que eu estava a aproveitar neste momento. Faz mais sentido que ele use um WM, não eu.
Desta feita estou à procura de uma outra plataforma que tenha um desempenho superior nas tarefas que darei ao novo aparelho. Será, sobretudo, para me manter em contacto, gerir a agenda e tarefas, ler email e as RSS, ouvir música e… pouco mais. O resto estou a realizar no EEE com maior conforto e mesmo autonomia.
Neste momento – e porque o dinheiro vem aos poucos – venha lá o Zire e os seus 2MB de memória e o fiel Nokia