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“Nunca usei um PDA mas quero comprar um smartphone Windows Mobile. E agora?”

Esta pergunta é muito frequente nos fóruns nacionais sobre tecnologias móveis e retrata uma situação concreta que pode criar clivagens e dificuldades a vários níveis, tanto a quem quer comprar, bem como a quem tenta ajudar e opinar sobre determinado produto.

O que é um Smartphone Windows Mobile

Antes de mais, um smartphone Windows Mobile (leia-se PDA com função telemóvel, com ou sem ecrã táctil) não é um telemóvel topo de gama. Muitos utilizadores gastaram mal o seu dinheiro a pensar desta forma e depois arrependeram-se da sua escolha.

Um PDA, antes de mais, é uma ferramenta de organização pessoal, vulgo Assistente Pessoal Digital ou Personal Digital Assistant – PDA. Ou seja, é um dispositivo que consegue reunir num único local diversas informações pessoais ou profissionais relevantes para o utilizador. Seja através do calendário, contactos, notas, memos de voz, tarefas, etc, o proprietário tem sempre ao seu alcance toda essa informação. Todavia, este tipo de funcionalidade é oferecido por qualquer agenda Casio (as mais recentes claro), o que é que distingue realmente um dispositivo windows Mobile de um pda vulgar?

Bem, a resposta está no sistema operativo. A plataforma windows Mobile está em franco crescimento e com ela surgem milhares de aplicações que podem ser instaladas nestes dispositivos. Um PDA actual consegue reunir não só as informações pessoais (PIM) mas também oferecer programas de produtividade que ajudam o utilizador a fazer mais em menos tempo. Um exemplo é este artigo: estou a escrevê-lo no pda durante a pausa para café, fica guardado em docx, pronto para ser corrigido no Word 2007 do computador quando chegar a casa onde será publicado.

Um smartphone Windows Mobile oferece “out of the box” ferramentas como o Word, Excel e PowerPoint, mas também um gestor de email e de PIM e outras aplicações. Se o utilizador desejar pode acrescentar o adobe pdf reader, pode navegar na internet, chegar ao seu destino a horas se o pda tiver gps, ouvir música ou ver um filme nas horas vagas e, porque não, jogar uns jogos de vez em quando. Isto sem referir os restantes milhares de programas que podem ser adquiridos e instalados para responder às necessidades do trabalho ou vida pessoal. Até programas de monitorização do exercício do ginásio existem!

A outra vantagem, tantas vezes esquecida, é que o pda sincroniza com o computador. Ou seja, todas as informações são actualizadas em ambos os dispositivos nos dois sentidos. As vantagens de ter as informações dos contactos no outlook são óbvias, assim como a possibilidade de trocar documentos, ficheiros e outros só com uma simples ligação USB.

Isto qualquer pda – mesmo os que não são windows Mobile – fazem de uma forma ou outra, com ou sem truques. Por outro lado, o windows mobile é uma plataforma com uma certa maturidade e desenvolvimento, garantindo que o dispositivo acompanha as necessidades crescentes do utilizador. Um smartphone une estas características às de um telemóvel, numa convergência que criou uma das ferramentas mais eficazes de trabalho fora do escritório.

Quem é que precisa de um Smartphone WM?

Um pda é ideal para aqueles que precisam de gerir muitas tarefas, contactos, email, sms entre outros ao mesmo tempo. É ideal para quem precisa de ter sempre consigo as informações pessoais e profissionais, ideal para quem depende do email para tomar decisões ou para quem simplesmente está farto de uma agenda em papel e de um telemóvel cheio de apontamentos e mensagens.

Um pda já não será indicado para quem pretende ter uma máquina de jogos ou um aparelho avançado multimédia. Acredito que os Nokia gama N respondem melhor que um pda a essas necessidades. Quem não costuma escrever notas, tarefas ou apontamentos na agenda de papel ou telemóvel, não precisa de pda, seja com ou sem função telemóvel. Por experiência pessoal, quem está neste perfil de utilização (que nada tem de mal, não estamos a discutir classes sociais – tanto é que alguns Nokia custam muito mais do que um pda) e insiste num PDA, é por pura teimosia.

Porque é que um Smartphone responde a um conjunto de necessidades?

Uma outra característica dos smartphones windows mobile, é que servem para muita coisa mas não são bons em nada. Ou seja, para quem quer um óptimo telemóvel, com um som rico e balanceado, vai ficar desiludido com um pda. Em muitos modelos o som da chamada é aceitável, outros acima da média, mas a grande maioria abaixo do som de um telemóvel de 200€, incluindo o som dos toques e reprodução de música.

Um smartphone windows mobile, especialmente os windows mobile 6 profissional (com ecrã táctil), são antes de mais um pda do que um telemóvel. Ou seja, são óptimos gestores pessoais, são óptimas plataformas para programas de produtividade mas têm o telemóvel em segundo plano. Existe uma inversão na versão “standard” do windows mobile (smartphones sem ecrã táctil), onde a função telemóvel está claramente acima da função pda. Convém ao utilizador ponderar bem entre os dispositivos “standard” e “profissional” e equacioná-los de acordo com as necessidades reais. Não vale a pena comprar um dado aparelho só porque o utilizador pensa que “poderá” desempenhar certa tarefa com ele, é mais realista comprar o que se adequa às necessidades do dia-a-dia.

Voltando ao tema da convergência, os smartphones WM são muito abrangentes. Para quem se assustou com o termo “não são bons em nada”, cuidado na interpretação. É certo que como telemóveis não são bons (no sentido do que é para mim um bom telemóvel, pequeno, leve, óptimo som de chamada e toque e grande autonomia), mas fazem muito mais do que um telemóvel de média ou topo de gama. Os smartphones WM também não são bons como máquinas fotográficas – considero que nenhum telemóvel é bom nessa função – mas existem aqueles modelos com lentes Zeiss que com certeza conseguem melhores imagens do que o melhor dos pda’s. Todavia, uma vez mais, os smartphones WM reúnem outras funcionalidades que não estão presentes nesses telemóveis com lentes especiais. Bem, em última análise, os smartphones WM nem são bons PDA! Um PDA dedicado como os célebres Dell Axim tem ecrã de grande dimensão e resolução, slot Compact Flash II (quer permite grande conectividade com diversos acessórios – leitores de código de barras, gps, cartões de memória, módulos de rádio FM, etc.), entre outras grandes características. Por outro lado, o melhor dos pda’s não tem módulo GSM incorporado para fazer chamadas ou aceder à internet (precisa de um telemóvel emparelhado via BT) e é sempre uma confusão para contactar uma pessoa que esteja na lista de contactos do pda mas ausente da lista do telemóvel, entre outras ausências.

A palavra de ordem é convergência. Um smartphone WM reúne num único dispositivo as melhores características de pelo menos três aparelhos diferentes e especializados numa única tarefa. “Serve para muita coisa, mas não é bom em nada”. A menos que o utilizador não se importe de levar uma bolsa todos os dias para o trabalho com um bom telemóvel, uma máquina fotográfica (antes que comentem esta parte, os telemóveis com boas máquinas fotográficas também não são lá muito “bons” telemóveis), um PDA e um GPS (se aplicável), mais todos os carregadores e cabos de sincronização dos mesmos, então um smartphone WM não é para si. Por outro lado, se verificar que tal quantidade de aparelhos e cabos é absurda, ficará satisfeito com um bom dispositivo convergente.

Tipos de aparelhos

Existem dezenas de fabricantes de smartphones WM e centenas de modelos disponíveis. Todavia, nos dias de hoje, acho que só devemos olhar para os modelos com 96MB ou mais de RAM. A razão é simples: a memória é necessária para uma execução livre e rápida dos programas e é fundamental para uma boa experiência. Para quem é novo no universo WM e tem de enfrentar logo as dificuldades inerentes da curva de aprendizagem, imagine-se ter de aprender logo nos primeiros dias de experimentação e instalação desenfreada de software a fazer gestão avançada de memória, como terminar programas e guardá-los no cartão de memória, entre outros “truques” para ter sempre os precisos MB livres para o aparelho não bloquear quando é mais necessário. 96MB de RAM dão liberdade e estabilidade ao dispositivo.

Depois existem os modelos com teclado numérico, qwerty ou simplesmente só com teclado virtual. Não compreendo porque é que os modelos com teclado numérico têm ainda muita procura no mercado. Será por fazerem de “ponte” entre um telemóvel e um smartphone? Bem, a melhor das hipóteses é por causa do tamanho: regra geral, os modelos com este tipo de teclados (ou com o mesmo ausente) são mais pequenos e portáteis.
O teclado completo é uma necessidade, pelo menos para mim. Quem escreve mais de 5 SMS por dia, vai ficar espantado com a rapidez de um qwerty. Quem escreve emails e textos vai perguntar porque é que nunca o experimentou antes. De qualquer das formas, um teclado serve para chamar programas através de atalhos e permite em certos modelos a utilização do aparelho com uma só mão, uma grande vantagem já que um smartphone – com excepção do standard – implica usar as duas mãos.

Este artigo fica em aberto, aguardo as vossas sugestões e comentários.

Publicado via PDA.

  1. Onesolo
    May 12th, 2008 at 10:50 | #1

    Desculpa la, mas discordo totalmente quando incluis os Smarthphones no grande mundo dos PDAs.

    Um smartphone, por definição é um telefone com um sistema operativo de base, com funções avançadas de PDA mas que não tem função tactil. É q se fosse assim, então ja teriamos muitos pdas da Nokia e da Sony Ericsson (a serie P não é bem um PDA)…

  2. May 12th, 2008 at 12:40 | #2

    Boas

    Antes de mais obrigado pelo seu comentário :)

    Vamos por partes, no que toca à definição de smartphone, escolhi aquela palavra com cuidado: com o WM6, todos os equipamentos com função telemóvel são designados de “smartphones”, onde os “standard” são os dispositivos sem ecrã táctil e os “profissional” são os modelos com ecrã sensível ao toque.

    Aliás, nem existe uma definição absoluta (ou da indústria) para o que é um smartphone. Isto foi o que encontrei de mais semelhante a uma definição:

    “A smartphone is a mobile phone offering advanced capabilities beyond a typical mobile phone, often with PC-like functionality. There is no industry standard definition of a smartphone.” (in wikipedia com citação).

    Ora, neste contexto, parece-me correcto incluir os smartphones do mundo dos PDA. Aliás, um pda nem tem de ser um Dell: uma agenda digital qualquer é considerado um Personal Digital Assistant (PDA).

    Aconselho a dares uma vista de olhos no “the smartphones show”, onde o destaque vai normalmente para os nokias ;) São smartphones? Bem, pela definição acima referida, são sim senhor. Oferecem funções típicas da computação avançada num dispositivo que faz também chamadas.

    De resto, no artigo distingo o que é um smartphone (dispositivo Windows Mobile com função telemóvel – pode ser um S620 ou Kaiser – onde está distinto qual dos mesmos é “standard” e qual o “profissional”) dos PDA ditos normais.

    Aliás, os únicos casos onde tenho sérias dúvidas se chamo de smartphone ou PDA é mesmo no athena (x7500), onde a função dele, claramente, não é para telefonar. Por outro lado, equipamentos como os Palm Treo ou Samsung i780 têm design típico de um smartphone Standard mas são equipamentos com ecrã táctil, apesar da sua aparência.

  1. August 4th, 2008 at 23:41 | #1
  2. June 6th, 2009 at 14:13 | #2